Portal do Vale das Videiras
O charme de Petrópolis, o clima de Miguel Pereira, e a simplicidade de
Paty de Alferes - tudo em um único lugar: o Vale das Videiras.
Sete Fazendas Rurais

Testemunhas de um passado elegante e rico, no Vale das Videiras podem ser encontradas sete fazendas. As fazendas Santanna do Vale, Santa Rita, Conceição, São Pedro da Juréia, Ribeirão e da Cachoeira são mais antigas, ainda do século XVII, guardam algumas relíquias do tempo da escravidão e do café. Já a Fazenda das Videiras, hoje transformada em pousada, mostra-nos a transição do século XVIII para o século XIX e, mais propriamente, testemunha a tentativa de transformar o Vale das Videiras em uma região produtora de uvas..

No Brasil Colônia, e depois no Império, as terras do “Vale das Videiras” pertenciam à Vassouras, hoje município limítrofe. Sem nenhuma importância econômica para aquela comarca, pois impróprias para a cultura intensiva de café, essa região tinha uma importância meramente geográfica, pois era uma das rotas à disposição dos viajantes que vinham ou iam para as fazendas e áreas urbanas de Vassouras, Paraíba do Sul, Três Rios, Juiz de Fora e, dali, para seguir para pontos mais distantes, como São João Del Rei, Ouro Preto e Diamantina.

Segundo a pesquisadora Maria Luiza Salgado, em 1735, José Ferreira da Fonte teve confirmada a sua sesmaria conhecida como Roça de Secretário. Por ali, o Bandeirante Garcia Rodrigues Paes, filho do “caçador de esmeraldas”, teria aberto o “Caminho Novo” entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. E Tiradentes, quando guiava a sua tropa, preferia este caminho, pousando sempre no povoado de Sebollas (atual Inconfidência), onde teria um romance secreto com Anna Mariana Barboza, uma fervorosa aliada para os seus ideais revolucionários.

Com o passar dos anos, outras trilhas foram sendo formadas. Uma delas, a “Estrada do Imperador”, passaria pelo Rocio, Mata do Rocio e, depois, Fazenda do Rocio, Facão, Vale das Videiras, chegando até onde hoje é o Município de Paty do Alferes.

Ainda segundo a já citada pesquisadora, a partir do final do século XVIII, a Variante de Bernardo Proença passou a ser a mais utilizada para alcançar Vassouras e Paraíba do Sul e, destes sítios, “as minas gerais“ Esta variante começava na Cascatinha, entrava no Vale de Araras (fazendo o mesmo percurso da atual estrada Bernardo Coutinho), subia a Serra de Araras, cruzava a Garganta da Ponte Funda (alt. 1238m), entrava em áreas da Fazenda Santa Catarina e chegava ao povoado do Vale das Videiras (no mesmo trajeto da atual estrada Paulo Meira), um “entroncamento” de grande importância à época, pois dali partiam duas “variantes” principais: uma, conduzia o viajante à Paty do Alferes, Miguel Pereira e Vassouras; a outra, à Paraíba do Sul, passando por Sardoal, Sebollas, Fagundes e Werneck.

Tropeiros, vaqueiros, negociantes, enfim, viajantes de todas as categorias e classes sociais faziam este trajeto com ouro, moedas, roupas, pinga, sal, farinha - um sem fim de utilidades. Na época das chuvas, diversos trechos viravam atoleiros de barro. Isso impedia a passagem e eles eram obrigados a esperar as condições climáticas melhorarem. Com o tempo, foram nascendo pequenos ranchos para abrigá-los durante estes pousos. Com eles, currais, cocheiras, estalagens. Depois, surgem as fazendas que, além de servir como unidades de produção, passaram a atender também às necessidades de pouso, descanso, higiene e alimentação. Desta época, dentre outras, as Fazendas Bonsucesso, Santa Catarina, Sant´Anna do Vale, da Cachoeira e do Rocio.

Na esteira das insurreições abolicionistas, o Vale das Videiras teria abrigado um antigo quilombo, liderado por Manoel do Congo, africado capturado e levado à Vassouras, onde foi enforcado em 1839. Deste quilombo, não restaram vestígios.

Já nos últimos anos do Império, houve uma tentativa mal sucedida de transformar a região em vinícola, surgindo daí o nome “Vale das Videiras”. A iniciativa coube as famílias Imbeloni e Rispoli, imigrantes vindos do sul da Itália.

Mesmo nos dias atuais, em pleno século XXI, os limites político-geográficos do Vale das Videiras continuam sem exata definição. O município de Petrópolis avançou em terras que o registro de imóveis apontam como pertencendo a Vassouras e que hoje seriam de Miguel Pereira e de Paty do Alferes. De qualquer forma, foi Petrópolis quem assumiu a iniciativa de levar o asfalto até o centro do Vale das Videiras, bem como atender a região com coleta de lixo e transporte público.

A natureza, alheia a tais indefinições, propicia que o Vale das Videiras continue cresçendo aos olhos de todos como uma das mais sedutoras regiões turísticas serranas do Estado do Rio de Janeiro. Dispõe de pequenos produtores rurais, que fornecem legumes, mel, verduras, queijos e outros importantes insumos para a culinária. Conta com restaurantes com chefes conceituados pela qualidade de sua gastronomia e tem instalados pousadas para todos os bolsos e exigências. Dispõe de escolas de ensino primário e médio, posto médico, um pequeno shopping center e condomínios que souberam respeitar a natureza e se integraram a ela com maestria. Em suma: o Vale das Videiras é o lugar perfeito para morar, para hospedar ou simplesmente para visitar, conhecendo os produtores rurais de alimento e de artesanato e os restaurantes com seus pratos simples ou requintados.

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