Portal do Vale das Videiras
O charme de Petrópolis, o clima de Miguel Pereira, e a simplicidade de
Paty de Alferes - tudo em um único lugar: o Vale das Videiras.
Por que Vale das Videiras?

Ao longo do ano de 1875 aportaram no Brasil alguns navios trazendo imigrantes das mais diferentes regiões da Itália, a grande maioria a procura de trabalho e novas oportunidades no setor agrícola.

Os que vieram do norte da Itália foram encaminhados em sua maioria, para as províncias de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Os provenientes do sul da Itália dividiram-se entre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo. A lavoura cafeeira absorveu praticamente toda a mão de obra, embora uns poucos imigrantes conseguiram terras e, por isso, dedicaram-se desde o início ao cultivo da uva, especialmente no Rio Grande do Sul.

No Vale do Paraíba, a região de Vassouras se estendia até áreas onde hoje estão os municípios de Paty do Alferes, Miguel Pereira e Petrópolis. A cultura cafeeira, todavia, que ali predominava, foi a primeira a dar sinais de enfraquecimento com a proibição da importação de escravos e as seguidas leis restritivas à utilização da mão de obra escrava.

Mesmo antes de extinta a escravidão, os italianos já haviam substituído os negros na lavoura do café. Mas já encontraram as fazendas de café em franca decadência. A baixa qualidade do café brasileiro e, em especial, o produzido no Vale do Paraíba, determinava a seguida desvalorização do produto e a conseqüente queda dos preços internacionais.

Sem recursos para pagar meses e até anos de trabalho dos colonos italianos, os fazendeiros acenaram com o sistema de “parcerias” –que também não deu certo. Assim sendo, e como último recurso, a maioria dos fazendeiros decidiu pelo desmebramento de suas fazendas, passando para algumas famílias de italianos as glebas mais distantes ou menos férteis. Assim surgiram algumas fazendas, como, por exemplo, as Fazendas Piedade, Monte Alegre, Pau Grande, Sant’Anna, Paulo Meira, Cachoeira e Santa Catarina.

As fazendas mais próximas à região de Avelar, hoje um distrito do Município de Paty do Alferes, ficavam em áreas mais valorizadas, porque mais planas e mais propícias à cultura. Por isso, passaram seguidamente pelas mãos de diferentes proprietários e hoje, minifúndios, dedicam-se à produção de tomates.

Já as áreas mais distantes, situadas em um extenso vale, já na Serra de Araras, foram entregues como pagamento de dívidas acumuladas a alguns imigrantes napolitanos, oriundos de cidades às margens do Golfo de Salerno, no Mar Tirreno: Os irmãos Raphael Rispoli, Salvador Rispoli e Arthur Rispoli, todos naturais da minúscula cidade de Praiano Vetere, Francisco Imbelloni, natural de Castellucio Inferiori, foram os que receberam os quinhões mais representativos. Surgem, então, as Fazendas da Cachoeira, Santa Catarina e São Pedro da Juréia, dentre outras.

O clima, bem mais frio do que aquele das áreas próximas a Vassouras, e as terras, bem escarpadas, desde logo se mostraram pouco propícias à plantação de café. Estas duas características estimularam aqueles imigrantes a buscarem uma solução em suas origens: a plantação de uvas.

As mudas teriam vindo de um dos vinhedos mais importantes do sul da Itália, a dos Mastroberardino ad Atripalda, na provícia de Avellino. Ora, também daquela cidade italiana vieram muitos imigrantes que, radicados nesta mesma região, e por falta de documentação, adotaram o sobrenome Avellino. Então, com a ajuda daqueles italianos, e com o apoio decisivo da família imperial, chegaram, então, ao Brasil, as primeiras mudas da uva Aglianico, reconhecida pelos seus vinhos, com estupendos dotes de longevidade.

Grande parte das mudas teriam se perdido diante do rigor da viagem. Das poucas que restaram, pouquíssimas conseguiram vingar diante da enorme diferença climática e de solo, do ataque de formigas e da falta de trato adequado. A espécie de uva escolhida teria sido, também, um enorme equívoco.

Imbelloni perdeu todas as suas mudas mas, com a ajuda de imigrantes italianos estabelecidos no interior de São Paulo, obteve mudas da variedade de uva aqui conhecida como Isabel. Tal variedade, bem mais rústica, e já adaptada aos rigores climáticos da serra gaúcha, teria se adaptado razoavelmente à Serra das Araras.

Mesmo após o falecimento de Francisco Imbelloni, em 12 de janeiro de 1912, e com o posterior desmembramento e venda de suas terras, alguns daqueles parreirais sobreviveram e, segundo atestam descendentes e alguns antigos moradores, na década de quarenta ainda se viam parreirais, a maioria deles completamente abandonados.

Quanto aos três irmãos Rispoli, ao que se sabe, insistiram enquanto puderam com as mudas que lhe restaram da uva Aglianico e, em seguida, plantaram alguns cafezais. Mas não chegaram a ocupar sequer a quarta parte das terras que formavam a sua propriedade. Primeiro, porque a maior parte era constituída de montanha, pedra sem nenhuma terra para sustentar qualquer tipo de plantação. A outra parte, de dificílimo acesso, exigia intenso emprego de mão-de-obra. E havia, ainda, o problema do escoamento do produto.

Raphael Rispoli, com a morte de sua mulher em 15 de novembro de 1989, quando se proclamava a República, teve o seu ânimo reduzido a um quase nada. Além disso, tal qual os poucos parreirais que plantou nos 2 milhões de metros quadrados que lhe foram destinados, também ele não se adaptou ao clima de montanha, bem diverso daquele de sua origem. Então, corroído por problemas de saúde, veio a falecer em 1896, aos 62 anos, e dez anos após a tentativa de se estabelecer na região.

Com o falecimento de Rafhael Rispoli, a propriedade foi desmembrada em 9 porções: uma, reservada a um cemitério, onde ele e a esposa encontram-se enterrados; as outras oito, entre os herdeiros Arthur, Rosa, Jácomo, Rafael, Gregório, Vicencia, Francisca e Pascoal. Consta que Salvador Rispoli, falecido em 1918, e Arthur Rispoli, em 1920, bem como alguns dos novos adquirentes ainda tentaram desenvolver a cultura da uva em seus quinhões de propriedade. Nenhuma informação concreta, todavia, foi conseguida.

A primeira referência ao nome “Vale das Videiras” foi encontrada em um mapa apócrifo, datado de 1946. Ele registra a existência de uma estrada de terra interligando Araras a uma região denominada “Vale das Videiras”, passando antes por uma garganta, a 1263m. de altitude, denominada “Garganta da Ponte Funda”, e seguindo depois ao lado de um riacho com o nome de “Ponte Funda”, que passa dentro da Fazenda Santa Catharina e desemboca no “Rio Fagundes”. Segundo tal mapa, a “Garganta da Ponte Funda” seria o montante divisório entre os municípios de Petrópolis e Vassouras. Já em torno de 1950 são feitos novos desmembramentos e novas vendas, surgindo, daí, fazendas menores, sítios, chácaras e até um loteamento, que veio a obter registro em Petrópolis.

Nos últimos anos do século vinte, o advogado Gaspar Vianna, especialista em Direito de Telecomunicações, mas já aposentado, adquiriu a sede e 20,7 hectares da Fazenda Santa Catarina. Em seguida, registrou a propriedade no Registro de Imóveis, INCRA e Secretaria da Receita Federal sob o nome de “Fazenda das Videiras”.

Depois de dois anos de um árduo trabalho de restauração e ampliação da edificação existente, foi aberta em 27 de agosto de 1999 uma pousada rural, denominada Fazenda das Videiras. Seu proprietário, Gaspar Vianna, registrou, na ocasião da inauguraçào da pousada, suas quatro preocupações vetoriais: (a) a preservação ambiental, com adoção de providências concretas destinadas a assegurar o equilíbrio e a expansão da flora e da fauna da Mata Atlãntica dentro da propriedade; (b) o resgate da arquitetura e do mobiliário colonial brasileiro; (c) a eleição da parreira, da uva e do vinho como elementos temáticos centrais para a decoração dos interiores e (d) o reconhecimento da “Pousada Fazenda das Videiras” como um destino de charme, com características próprias e exclusivas.

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